Lumen anuncia sessões especiais com estreias mundiais, convidados internacionais e destaques do cinema contemporâneo

Programação reúne novos filmes brasileiros, obras de realizadores internacionais e sessões especiais de abertura e encerramento do festival, que acontece de 6 a 14 de novembro, no Rio de Janeiro, com entrada gratuita.
O Lumen, festival dedicado ao cinema independente, anuncia os filmes que integram suas sessões especiais em 2026. A programação reúne estreias mundiais, produções brasileiras recentes e obras internacionais que exploram diferentes possibilidades da linguagem cinematográfica. Entre os destaques estão os filmes de abertura, Os Fantasmas Gentis, de Caetano Gotardo, e Cinema Moderno, de Felipe André Silva, além da sessão de encerramento com Drops de Anis, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro. Os títulos dialogam com uma seleção que percorre importantes festivais de cinema, incluindo o Festival de Brasília e a Mostra de Cinema de Tiradentes.
Entre as estreias mundiais está Andrômeda, de Cavi Borges e Patricia Niedermeier, que transforma uma experiência-limite vivida durante a pandemia em ponto de partida para uma viagem entre realidade, alucinação e memória. A narrativa acompanha Alice, hospitalizada com Covid-19, em uma jornada entre a vida e a morte na qual o cinema reaparece como possibilidade de redescoberta. A programação apresenta também Cartas para Rian, curta-metragem da mesma dupla, filme protagonizado por Helena Ignez que aborda, em tom nostálgico, a relação com uma sala de cinema.
Também em estreia mundial, Macumbaria, documentário de Lucio Branco, investiga as relações entre as religiões de matriz africana e a sociedade do Rio de Janeiro. Ao abordar suas práticas, formas de presença e resistência, o filme lança um olhar sobre a experiência religiosa e suas relações com o espaço social carioca.
Entre os destaques internacionais estão Cera & Ouro (Wax & Gold), da cineasta austríaca Ruth Beckermann, e A História do Concreto (The History of Concrete), do norte-americano John Wilson. Ambos integram a programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e chegam ao Lumen após sua passagem pelo festival paulistano.
Em Cera & Ouro, Beckermann investiga as relações entre memória, história e poder a partir do Hilton Addis Ababa, hotel situado na capital da Etiópia. Entre vestígios do passado e contradições do presente, o filme observa as marcas de uma história política e social que permanece em disputa. Já em A História do Concreto, John Wilson, conhecido por sua série How To with John Wilson, parte de um dos materiais mais onipresentes da paisagem urbana para construir uma investigação documental atravessada por humor, observação e associações inesperadas. O concreto se torna ponto de partida para um olhar sobre a cidade, seus habitantes e as histórias escondidas nos elementos mais banais do cotidiano.
Um dos encontros mais singulares desta edição é Revolução dos Idiotas (Numbskull Revolution), longa do cineasta independente Jon Moritsugu, figura fundamental do cinema punk e underground norte-americano. Conhecido por uma filmografia radical, de estética DIY e avessa às convenções do cinema institucional, Moritsugu constrói uma sátira distópica do mundo da arte, acompanhando dois artistas conceituais em disputa por reconhecimento e financiamento. O filme tem James Duval no elenco, ator que se tornou um rosto emblemático do cinema de Gregg Araki, especialmente por sua participação em Totally F**ed Up*, The Doom Generation e Nowhere.
A exibição no Lumen tem um significado particular: apesar de sua conhecida resistência ao circuito tradicional de festivais, Moritsugu aceitou apresentar o filme nas sessões especiais do festival carioca. Depois de circular por sessões pontuais, incluindo o Brunswick Underground Film Festival (BUFF), Revolução dos Idiotas chega ao Rio sem o aparato habitual de uma grande estreia, mas com a força de um cinema independente que permanece à margem dos circuitos convencionais. Sua presença reafirma o interesse do Lumen por obras que desafiam não apenas as convenções estéticas, mas também os próprios modos de circulação do cinema.
A programação inclui ainda Cinécollages, experimento cinematográfico concebido por Matthieu Orléan, historiador e crítico de cinema ligado à Cinemateca Francesa e colaborador dos Cahiers du cinéma. Reunindo curtas-metragens de realizadores como Gus Van Sant e Bertrand Mandico, o trabalho aproxima imagens originalmente concebidas em contextos distintos e cria novas relações entre elas. O resultado evoca o método do historiador da arte Aby Warburg, que, em seu Atlas Mnemosyne, organizou imagens de diferentes épocas e procedências para investigar suas ressonâncias, permanências e transformações. Em Cinécollages, esse princípio ganha uma dimensão cinematográfica: a montagem deixa de ser apenas uma operação de encadeamento e se torna uma forma de pensamento. Orléan estará presente no Lumen para acompanhar a sessão e conversar com o público.
A programação completa, com datas, horários e locais das sessões, será divulgada pelos canais oficiais do festival.





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